Dia Mundial da Alimentação

16 de Outubro de 2018

No dia mundial da alimentação fomos falar com a Drª Maria Inês Antunes, nutricionista do Centro Médico da Universidade de Lisboa, sobre os hábitos alimentares dos portugueses.

A má alimentação pode influenciar na produtividade do quotidiano?
Uma alimentação saudável influencia positivamente o bem estar e consequentemente a produtividade do quotidiano. O contrário também se verifica. O consumo de alimentos ricos em açúcar, os tais produtos alimentares chamados de alimentos processados, provoca no nosso organismo alterações a nível da nossa microbiota intestinal natural, levando a que as bactérias produzam substâncias que provocam uma resposta inflamatória do sistema imunitário e despoletam desequilíbrios hormonais, entre os quais uma sobreposição de insulina e alterações na libertação de leptina, a hormona da saciedade, dificultando a sensação de saciedade. Por outro lado, a inflamação provoca uma maior permeabilidade do intestino, baralha a sua seletividade daquilo que absorve e que deita fora, assume como tóxicos determinados alimentos e pode provocar intolerâncias ou sensibilidades alimentares.  Para além disto o açúcar e os alimentos processados têm a fama (e o proveito) de aumentar a quantidade de gordura corporal. O excesso de gordura verificado no excesso de peso e obesidade leva também à produção de toxinas pro-inflamatórias. Então instala-se um ciclo de inflamação. 
Fazer um regime alimentar que estimule o crescimento e desenvolvimentos de uma microbiota saudável, escolher bem os alimentos que comemos diariamente e seguir um padrão alimentar equilibrado é a chave para qualquer dieta.

É possível fazer-se uma alimentação saudável sem custos muito elevados?
É mais caro comermos “mal” porque depois temos os custos da nossa saúde. Uma alimentação saudável deve ser moderada, equilibrada, simples e sustentável, para podermos pôr em prática todos os dias, prevenir o aparecimento de doenças crónicas e elevar o bem-estar. A atitude que temos perante aquilo que comemos reflete não só o nosso estado de saúde como também nos pode ajudar a poupar.  Podemos por exemplo optar por tomar o pequeno almoço em casa ao invés de ir ao café. Para além de pouparmos ainda podemos variar entre fruta, pão, iogurte, tostas, queijo e cereais e tornar esta refeição mais divertida e apelativa. A sopa é talvez a refeição mais acessível e é bastante nutritiva. Podemos utilizar uma infinidade de ingredientes e aproveitar partes de vegetais, que geralmente são colocados de parte no prato principal. Reservar o que sobra de uma refeição caseira para o almoço no trabalho do dia seguinte, permite selecionarmos o que temos disponível nesta refeição e evitamos comer fora. Ter sempre disponíveis pequenos snacks saudáveis para os intervalos entre as refeições (barritas caseiras, fruta fresca, cenoura …) pode evitar um ida ao supermercado ou ao café para comprar por exemplo um bolo ou outro alimento menos saudável. Beber água da torneira é mais acessível e também é mais sustentável porque evitamos as garrafas de plástico.  A água da rede pública é submetida a análises anuais cujos resultados são controlados para cumprirem os critérios de qualidade fixados na legislação portuguesa. Segundo a Deco, se beber 2 litros de água da torneira ao fim de um ano gasta cerca de 1,75eur.

Como é que uma boa alimentação pode interferir na vida de quem pratica atividades físicas?
Pode influenciar na recuperação física, prevenir lesões e aumentar a performance desportiva. O nutricionista vai ajudar a criar um plano alimentar adequado ao tipo de exercício físico, objetivo ponderal e horários de treino.

Tendo em conta que cada vez mais as pessoas levam marmitas para o trabalho é possível encontrar soluções saudáveis. Pode dar-nos um exemplo de uma receita?

Segue uma receita onde eu reutilizo os legumes assados, grelhados, salteados ou cozidos que sobram de uma ou várias refeições.

Queques de legumes:

| 4 ovos ou 500 ml claras de ovo pasteurizadas
| legumes cozidos ou assados que sobrem de outras refeições
| fermento q.b.
| pimenta q.b.
| salsa

Distribuir os legumes previamente cozinhados por forminhas de ir ao forno.
Bater levemente os ovos ou as claras de ovo juntamente com o sal, fermento, pimenta e salsa.
Verter os ovos sobre os legumes e deixar um dedo de altura da superfície para não transbordar.
Levar ao forno pré-aquecido a 180º durante 15 minutos. Servir com uma salada.

Nós somos realmente aquilo que comemos?
Ao equilibrar a nossa microbiota intestinal, através da alimentação, conseguimos controlar a compulsividade alimentar e o desejo por doces, alcançar o peso desejado, regular o metabolismo, melhorar a disposição, evitar uma série de doenças e tornar o nosso intestino num aliado para a vida. Por isso eu costumo de dizer que “nós não somos aquilo que comemos mas sim aquilo que o nosso intestino decide absorver”. No entanto, apesar do intestino ser o órgão que seleciona o que vamos ou não absorver e eliminar do nosso corpo, a responsabilidade de o manter saudável é nossa, através de tudo o que comemos.

Drª Maria Inês Costa
Campo de intervenção em várias áreas de especialização: Excesso de peso e obesidade; emagrecimento; nutrição no desporto; nutrição materno-infantil; distúrbios do comportamento alimentar; doenças cardiovasculares; oncologia

Centro Médico - Campus da Cidade Universitária: 6ª feira das 8h30 às 13h00
Centro Médico - Campus da Ajuda: 4ª feira das 10h00 às 13h00

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